Devo contar ou não?

Sempre tive desejos por homens, desde a infância. Reprimi isso por mais de 30 anos porque queria ser aceito socialmente, não queria problema com a minha família – enfim não queria dificultar a minha vida nem dar “desgosto” para meus pais. Nunca mantive relação com outros homens ou mulheres, até conhecer a mulher de minha vida aos vinte anos. Casamos, temos um filho de 4 anos e entre altos e baixos, nos amamos muito, e considero nossa relação maravilhosa porque conversamos muito sobre tudo, e sempre expusemos nossas questões, dificuldades. E temos uma vida sexual sadia, sem excessos, e que nos satisfaz. Exceto que nunca toquei sobre esse “segredo”; e nunca ninguém desconfiou de nada (assim penso), até porque não tenho trejeitos afeminados. Acho que esse é o grande segredo de minha vida.
E assim toquei minha vida, perfeita, sempre me esforçando para não ninguém descobrir nada – porque não tenho nada a ganhar com isso, já que a sociedade e as religiões condenam o homossexualismo. Tive várias oportunidades de ter relação com outros homens mas sempre reprimi. E só pude me entregar de verdade sexualmente e emocionalmente à minha esposa.
Mas internamente tinha atração também por homens. E eventualmente acessava sites porno e me masturbava.
Nunca condenei quem era homo, porque entendia esse sentimento. Aliás o meu sentimento era de neutralidade, respeito e simpatia.
Recentemente fiz uma excursão, com um grupo da minha Igreja, por mais de 30 dias a qual minha esposa não me acompanhou. Como estava sozinho, acabei ficando no quarto com um amigo mais velho notadamente afeminado. Temos entre nosso grupo uma relação muito transparente, respeitosa e comprometida uns com os outros e com o nosso sacerdote. Entre algumas orientações de nossa Igreja, o casamento hetero é aceito como o correto e encorajado, sendo o homossexualismo desestimulado.
Bem, acabou que por estarmos no mesmo quarto fomos nos aproximando, contando segredos, nos revelando. Uma intimidade que culminou, na ultima noite em que passamos juntos no mesmo quarto, num abraço, nus, com troca de carícias, beijo, sem penetração, sem masturbação e sem ejaculação. Um abraço de companheirismo, que durou uns 3 minutos. Um lado meu quis e permitiu essa aproximação, essa sedução, em demonstração de confiança e cumplicidade; e eu queria “ser verdadeiro com o que estava sentido, pela primeira vez na minha vida”. E tenho que dizer que sempre tive curiosidade de saber em como é estar com outro homem, e acho que posso ter me aproveitado da carencia e abertura dele. Mas outro lado estava tenso porque sabia que transgredia a minha fidelidade ao meu casamento e a regra do celibato desse meu amigo – regra entre os solteiros de nossa Igreja. Não estavamos apaixonados, e o sentimento de companheirismo continuou o mesmo. E está claro para mim que amo minha esposa.
E nas horas seguintes achei que não tinha acontecido nada de mais, que poderia guardar esse segredo entre nós dois. Mas a coisa mudou… e cai num tortuoso dilema moral/ético, entre contar para nosso sacerdote (há entre nosso grupo o costume de confessar com ele, coisas intimas, assuntos delicados e dificeis, tomar conselhos) e assumir todos as consequencias e castigos (inclusive a de sermos expulsos da Igreja) ou ocultar esse fato (do contato íntimo). Sempre confiei no trabalho de minha Igreja, respeito suas regras, e agradeço sempre por ter encontrado essa luz na minha vida. E da mesma forma o meu casamento é tudo na minha vida. E quero continuar a ser transparente e verdadeiro, mas tenho grande medo de contar o que ocorreu. Acho que até consigo contar para o Sacerdote, mas não para minha esposa (porque acho que ela não vai entender, e que vai sofrer muito), neste momento.

 

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5 Comentários

  • Religião sempre bloqueando os seres humanos.

  • Se existir um Deus, tenho certeza que ele gostaria que vc fosse verdadeiro com os outros e consigo mesmo. Não é justo com sua esposa ou com você afastar um segredo desses.
    Deixe de ser hipócrita, seja homem de verdade para seguir e afirmar suas vontades e virtudes.

  • Prezado irmão, em João 20,23 diz: “Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos”, isso foi o que Jesus disse a seus apóstolos. Hoje os apóstolos de Cristo são os Padres, por tanto, não tenha medo de se confessar e ser perdoado. Jesus te ilumine

  • Ola, acho que se vc ama tanto a sua esposa deve esquecer, nao precisa desabafar com o sacerdote, deixe comoe esta e confesse com DEus pq somente Ele que nos perdoa..e nenhum outro humano tem o poder de nos perdoar. Sou catolica , claro tem os padres q estao la na igreja mas, acredito q nao é correto a gente se expor a uma pessoa como nós, ele tb erra, mtos padres pecam , entao o Unico que nos perdoa é Deus. Peça, ajoelhe-se diante do Pai e peça seu perdao..esqueça esta historia, a vontade que vc tinha deve passar dps da situação que viveu no quarto com este outro homem, e se vc sentiu culpado é pq nao é o que vc deve ou tem q fazer novamente. Atrações sao banais, e nós esquecemos quando sentimos realmente amor por quem esta ao nosso lado.
    Parabens por desabafar isso, acho q lhe dará bem, e parabens por amar tanto sua esposa.

  • Cara se vc gosta da sua mulher mas também quer experimentar relação com homem deve ser só prazer carnal, então faça o seguinte peça pra sua mulher (claro) que com todo jeito para quando vcs estiverem fazer sexo ela colocar o dedo no seu Cú, depois compre um vibrador e peça pra ela te satisfazer, creio que entre 04 paredes vale tudo, talvez assim vc não sinto mais vontade de transar com homens….e pense bem no seu FILHO….imagine a decepção dele se um dia souber…….