Um vício

Gostaria de me apresentar antes de começar. Sou uma garota de 17 anos que prefere não dizer o nome. Venho de uma família de classe média alta e tenho boas condições de vida, uma família ótima e um namorado que me faz muito bem.
O único problema que tive em minha vida foi um vício: Roubar.
Creio que tudo começou um dia, em uma doceria. Estava com uma amiga e não tínhamos dinheiro, pois era final de mês e havíamos gastado tudo que ganhamos. Eis que então nós queríamos muito um chiclete, porém, não poderíamos levar.
Foi aí que surgiu a ideia: Por que não roubamos? Já compramos tanta coisa aqui, demos tanto lucro aos funcionários…
E assim fizemos. Nos sentimos bem, mas ao mesmo tempo culpadas. Foi realmente muito fácil roubar aquela doceria.
Depois de algum tempo, fomos ao shopping e contamos a outra amiga o que havíamos feito, rindo. É claro que ouvimos uma reprovação, mas a garota parecia também achar graça da situação. Nesse mesmo dia, nós três roubamos diversos brincos, daqueles baratos.
Daí pra frente, toda vez que almoçávamos juntas, íamos a alguma loja e pegávamos
um doce ou até mesmo a nossa própria refeição, chegando até a roubarmos mais de 200 reais por dia.
Começou a chegar a tal nível que pegávamos as coisas por puro impulso: sem nem mesmo precisar delas. Roubamos brinquedos para dar de natal as crianças da família, assim como chocolates e entre outras coisas para outras pessoas.
Roubamos roupas. Roubamos mais de 300 reais em chocolate em um dia.
Eu comecei a me sentir mal por isso. Eu tentei parar, mas quando me juntava com essas meninas, era algo mais forte que eu. Elas me pressionavam.
Um dia então, uma dessas garotas me disse que precisava de alguns cremes para espinha e me levou até uma loja de cosméticos com ela. Eu saí da loja enquanto ela ia fazer o “trabalho sujo”. Depois de alguns minutos do lado de fora, vejo minha amiga saindo de dentro da loja acompanhada por seguranças. Fiquei preocupada e perturbada. Ao ver aquela cena, prometi a mim mesma que nunca mais roubaria nem mesmo uma bala. Felizmente, minha amiga só teve que pagar o que roubou e foi liberada, até por ser menor de idade.
Desde que fiz essa promessa, não roubei mais nada, mas a imagem de minha amiga sendo pega não sai da minha cabeça. Imagino como seria se fosse comigo, o que meus pais iriam pensar. E ainda vivo em meio a pressão das outras meninas, que dizem que para se livrar do vício, temos que ir com calma e parar aos poucos, portanto, ainda devemos roubar.
Penso nisso o dia todo, só consigo parar quando meu namorado está comigo (apesar de ele não saber de nada do que fazíamos, ele me traz algum tipo de paz), e tudo o que eu mais queria era alguma forma de me redimir. Não tenho coragem suficiente para chegar em uma loja e falar: eu roubei aqui. Vim pagar pelo prejuízo. Por isso tenho planos de fazer doações a crianças carentes ou algo do tipo.
Estou me confessando em busca de paz comigo mesma. Sei que o primeiro passo é admitir o erro, e é isso que procuro fazer.

 

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