Confesso que gosto de drogas

Sou de uma boa família, e mesmo após os diversos avisos sobre o abuso de substâncias, pensei em experimentar. Quando eu tinha 18 anos comecei a beber, nunca havia bebido desde então. Havia uma menina que conhecia desde o ensino médio, nunca me deu muita atenção, sempre dizia que eu era muito quietinho (naquela época eu não entendia o que ela queria dizer). Vamos chamá-la de Ana. Depois de um tempo, entrei na faculdade.

Nunca gostei muito de estudar, sempre fui bem em esportes, comecei a faculdade de direito por causa do meu pai mas não estava indo bem, não sabia ao certo se era aquilo o que eu queria. Mesmo após entrar na faculdade, tentava ainda algo com Ana, mas sempre tomava corte. Passei a beber todo fim de semana, com amigos e pra criar coragem pra chegar nas meninas das baladas, ganhar experiência, desestressar… Lá pela metade do ano, já estava entrosado com o pessoal da faculdade, e veio o convite. Fla*, já foi em uma rave? Eu falei que não, e acabei aceitando o convite. Chegando lá, como de costume peguei uma vodka e um energético, e fiquei aproveitando a festa. Passado umas 4 horas, vi meus amigos todos dançando, sem falar muito; e me aproximei, perguntei brincando “O que aconteceu? tão todos quietos por que?” O Andre, outro amigo meu me chamou para um canto e perguntou se eu já estava sentindo. Já estava sentindo o que?? Estava meio alegre por causa do álcool, mais nada. Ele me ofereceu então meio comprimido de ecstasy… pensei muito bem, porem o fato de minha vida estar uma merda naquela momento, a faculdade difícil, a ana me ignorando cada vez mais… resolvi aceitar.
Que mudança. Depois de uns 40 minutos eu me sentia leve. Me sentia despreocupado, relaxado, feliz. A musica, algo que ignorava nas baladas, começou a me chamar atenção e aumentar o meu astral, comecei a entrar no ritmo.

Depois de uma hora estava tão feliz que havia esquecido da faculdade, do estágio, da cobrança da família, e da vontade de ter uma companhia, não havia mais solidão. Nesse hora, sai pra comprar uma agua, por ‘algum motivo’ fiquei com muita sede. Ao chegar perto do bar… quem eu encontro? Sim, a menina que dizia que eu era muito quietinho, muito certinho, blah blah blah certo.. Ana. Mas eu já estava doido, não estava preocupado, tinha tocado o foda-se, passei do lado dela e nem senti vontade de dar um oi. O que eu queria mesmo era voltar pra nossa roda, voltar com a galera e aproveitar o som. Pedi uma água, copo com gelo, e quando terminei de encher o copo e sair, uma mão segura meu braço. Ana: “Flavio?? Nossa, que você ta fazendo aqui? não sabia que você vinha em festa! nossa nem te reconheci com o óculos escuro!”
Falei: “Oi Ana, poxa que surpresa! não sabia que você gostava também!” a Ana deu uma risadinha e disse “O que você tomou?” Na hora, não queria que ela ou qualquer outra pessoa que me conhecesse fora das festas soubessem, então disse: “Tomei nada, só vodka. To meio bêbado.” Ela então disse: “Sei, vodka… ta se mordendo por que?” Eu nem percebi que estava me mordendo, só então entendi o porque me ofereceram chicletes.

Bom, terminei o papo rápido, desconversei, mostrei pra ela onde eu estava e voltei pra roda. Naquela festa não falei mais com ela, aproveitei ate as pernas doerem, cheguei em casa, tomei um longo banho, não estava com um pingo de fome, e fui dormir.
Na segunda feira, conversei com o pessoal da sala, comentamos da festa e ja marcamos outra. Após 6 meses indo em festas, havia parado de tentar conversar ou conseguir a atenção da Ana. Porem dessa vez ela que veio falar comigo. Pela primeira vez. Mas em 6 meses minha cabeça ja havia mudado tanto.. percebi que o fato da faculdade estar ruim e só tomar fora de mulher foi algo bom que me aconteceu. Me levou a experimentar uma substancia que me abriu a mente. Me fez perceber o que eu fazia de errado e me deu forca pra melhorar. Enquanto eu estava sob efeito, sorrindo, sem me preocupar, por mais que fosse passageiro, meu cérebro descansava e guardava forcas para o que realmente interessa. Passei querer ir pra faculdade, passei a entender a matéria e isso me dava mais vontade ainda de continuar. Conseguia conversar com as mulheres com mais naturalidade, havia perdido o nervosismo e o aperto que me dava no peito grassas ao ecstasy, e as coisas passaram a acontecer no seu tempo, sem precisar forçar nada.

Depois de 4 anos me formei, e mais 6 meses fui efetivado onde estagiava, e parei de tomar ecstasy. Senti que o tempo havia passado e ja não precisava mais dele. Me ensinou muito, mas não tinha muito mais o que aprender. Nunca perdi o contato com os amigos da faculdade. Em certo churrasco que marcamos entre a galera de rave, conheci uma menina; a Patricia, que tem a cabeça tão aberta quanto a minha. E comecei a me perguntar o que eu via na Ana hahah. Ela tinha passado por experiências como a minha. Com ela, Patricia fumei pela primeira vez maconha, e estamos namorando no momento. E percebi que cada substancia pode te derrubar ou te ensinar, e muito. Cada uma é diferente, e, fantástica na sua maneira de ser e de certa forma perigosa. Então o que tenho para confessar… é que eu gosto de drogas. Não quero fazer apologia, apenas confessar que minha vida mudou para melhor, após quebrar algumas barreiras de preconceito e forçar a minha mente a enxergar a felicidade. Quando tudo estava uma merda, e talvez por ironia, o que me trouxe de volta foi o ecstasy…

 

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2 Comentários

  • complementando, essa “felicidade” é o prazer do vicio, sua dependência quimica, vc já não consegue viver sem drogas. sua existência, sua vida . não encontra razão , se não pelas drogas. seu grau de dependência é tão caótico, que vc afirma,que já não vive sem elas. sua . vc pensa ,mas já não é mais dono de suas vontades, de suas atitudes.Vc é o retrato de um viciado, vc é refém das drogas. vc não percebe mas sua vida não tem sentido, ou perdeu ,se não for pelas drogas, ou por elas .sua dependência as drogas se torna , tão obsessivo, que vc não encontra razão, motivo, felicidade se não estiver atrelado as drogas.Eu diria que vc perdeu a guerra pras drogas, mas sua atitude é de tanto conformismo,de quem nem luta. e nem classificaria de uma fraqueza, e sim de total tolerância.Para viciado a droga é tudo, e pra ela, ele tudo fará, e seu papel nunca será segundária, e sim seu principal, motivo . já vi muito isso , é um padrão, sei bem como começa dificil é prever como termina…é numa paranóia. o que eu posso dizer é reflita, não com a emoção , prazer e sim de modo racional. o que vc escolheu para sua “vida”. Paz, boa sorte

    assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo.

  • apologia? então é esse seu conceito?sou o maximo chapado?e um nada careta? Toda vez que vejo esse argumento,alguém que precise se afirmar usando de artificios( drogas etc ) eu vejo um fraco que não consegue encarar a vida de frente de cara limpa, e precisa de muleta. Do jeito que descreve vc sem as drogas não é nada. com drogas( mascara ) se acha o maximo. Vc precisa rever seus conceitos. antes que seja tarde. sua afirmação , seus argumentos na realidade é de um viciado , mas ainda não se deu conta disso. cai na real, olhe bem o que vc escreveu, e diga vc como individuo, como um ser humano , depender de paliativos para sobreviver . vc é um “vencedor” ou um perdedor, reflita… meu amigo a vida é cruel,dificil.cheia de desafios, cheia de perdas e galhos depende de como a encaramos. vc ganhou pra vida e perdeu pras drogas .o placar infelizmente 2 x 0 pra elas. não tenho duvidas que se vc esperimentar muitas outras vc gostará e terá a mesma opinião, sua opinião sua expressão, não é mais sua ,e sim a do vicio do prazer do barato , que vc sente.Torço para que sua opinião mude , que essa máscara que vc adotou, que não é vc ,caia, e que volte a ser o que era ,mas de modo e pensamentos diferentes. tudo tá na sua cabeça . boa sorte . se andas com derrotados, certamente derrotado serás, se andas com vencedores com boa vontade e fé vencedor serás