Um outro eu

Meu mundo subversivo de escolhas erradas e a voz que grita em minha mente

“Antes de começar a pensar em confessar algo aqui, disse a mim mesmo que isso seria ridículo, mas é algo que tenho que compartilhar de certa forma, mesmo calado, um grito gutural ecoa em minha mente para quebrar as barreiras que me tornam o que sou.”

Gostaria de compartilhar aqui parte do que sinto, e sinto a muito tempo. Moro em Minas Gerais tenho 21 anos trabalho e estudo em casa, já que não consegui por muito tempo conciliar o curso em época de tcc. Sou um cara calmo, velho mentalmente para minha idade e fisicamente também, careca por opção, uso alargadores nas orelhas, cultivo uma barba que outrora foi maior em seus dias de gloria, tenho um bom gosto musical, odeio política e sou amante de series, moro com irmãos e meus pais separados na mesma casa. Por influência vivenciada acabei desenvolvendo um certo desleixo com relacionamentos, que aliás nunca duraram tempo significativo, isso de certa forma me tornou solitário no sentido de ter alguém pra compartilhar experiências, tenho um dilema que guardo a sete chaves.

Quando criança nunca tive problemas e nunca havia parado para pensar em relacionamentos, afinal eu era muito criança e coisas assim eram relevantes, com o passar do tempo descobri que eu talvez pudesse ser a criança mais estranha do mundo, com pensamentos estranhos, de fato, perdi minha virgindade muito cedo, na curiosidade de ambos com uma amiguinha de infância e posteriormente com um “amiguinho” de infância também, isso parece ser meio perturbador para mim hoje em dia, isso fez com que várias circunstancias de coisas confusas acontecessem uma atrás da outra…com o tempo eu aprendi a lidar com esse sentimento que me divide até hoje, nunca gostei desses termos “gays” “homosexuais” “bisexuais” mas se fosse pra me encaixar seria no terceiro.

O tempo passou e eu achei que esse sentimento se perderia com a poeira das lembranças passadas, mas persiste em ficar. Me pego por várias vezes pensando como seria se eu nunca tivesse vivenciado esses acontecimentos na infância eu hoje seria uma pessoa diferente…menos confusa e com mais expectativas positivas sobre as coisas que me cercam. Sei também que se escolhesse uma pessoa do mesmo sexo, no final, estarei solitário novamente…até mesmo esse texto me parece muito desconexo, mas é uma forma de sufocar e me enganar aliviando minha melancolia. Tento não criar expectativas e tento não deixar que criem sobre mim, talvez isso tudo seja porque eu até hoje não encontrei alguém que supra esse sentimento de vazio, e me ensine a não me preocupar em ficar solitário no final das contas.

Obrigado

 

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