Crise de identidade na minha adolecência

Crise de identidade na minha adolescência…
Eu tinha completado quatorze anos a poucos dias, a sensualidade, o erotismo brotavam pelos poros de uma forma desordenada, meus mamilos havia crescidos estavam dolorosos, eu me assustei, mas me disseram que era normal. Eu ainda não havia experimentado a masturbação, embora meus colegas dissessem que era muito gostoso, eu sentia medo daquilo que pudesse vir acontecer.
No colégio eu flertava como uma bela garota chamava-se Ivone, que estudava comigo na mesma turma, mas não passava de uma troca de olhares, eu me sentia tímido, não sabia como me aproximar mais dela e não sabia o eu ia lhe dizer. Certo dia a professora me chamou ao quadro negro para completar um exercício que estava sendo feito coletivamente, na volta para minha mesa olhei firme para Ivone, chamou a minha atenção as suas unhas um tanto compridas com um esmalte rosa muito chamativo, eu fiquei fascinado, ela me deu um leve sorriso e eu correspondi, fiquei apaixonado, senti uma vontade enorme de ficar bem perto dela, de segurar nas suas mãozinhas e alisar as suas unhas.
Em casa após o almoço minha mãe disse-me que tinha uma consulta marcada com o médico e depois iria sair com uma sua amiga para fazer compras e voltaria só para o jantar, a nossa empregada depois de deixar tudo pronto para o jantar também teve que sair mais cedo, minha irmã, uma gata, mais velha que eu quatro anos, disse que iria estudar na casa de uma amiga nossa vizinha a tarde toda e depois iriam para curso preparatório para o vestibular e voltaria tarde. Meu pai estava viajando a negócios e voltaria só no fim de semana. Eu me achava só em casa, sem saber o que fazer além de ter que fazer as lições de casa. Fui então ao quarto ao lado de minha irmã a porta do armário estava entreaberta, abri, de um lado estavam os seus vestidos, eu passei de leve a minha mão sobre eles, admirando-os, eram vestidos finos, leves, sedosos, uns curtíssimos outros mais logos, uns comportados outros muito decotados, estampados ou lisos, as cores eram as mais variadas, na gaveta estavam os sutiãs e as minúsculas calcinhas de diversas cores, peguei uma e cheirei estava perfumada, biquínis fio dental, do outro lado estavam os sapatos, peguei numa sandália muito delicada, salto altíssimo e muito fino, as tirinhas de couro vermelhas eram tão finas não sei como conseguiam se firmar no pé na palmilha também vermelha, a sola fininha, linda sandália, muito sensual. Depois fui até a penteadeira, sobre ela estavam vários potes de cremes, batons, rímel e uma coleção de vidrinhos de esmaltes da moda de diversos tons de vermelho e rosa. Peguei o vermelho vivo, o vidro de acetona, e o estojo de manicure e levei para o meu quarto. Por várias vezes eu havia prestado a atenção de como minha irmã fazia ela mesma as unhas das mãos e a dos pés, eu ficava ao seu lado, ela mesma preferia fazer e fazia muito bem, com gosto. Na última vez quase que pedi que ela também pintasse as minhas unhas, mas me contive, não pedi, não tive coragem, ela já devia ter percebido o meu interesse em vê-la pintando as unhas, eu estava torcendo que ela perguntasse se eu queria que ela pintasse as minhas também, mas ela não perguntou nada. Se ela perguntasse aceitava no ato. Resolvi de vês matar a minha vontade. Ia fazer eu mesmo. Sentei ma cadeira, dobrei os joelhos, tirei o meu tênis a meia, firmei o calcanhar na cadeira e sem pressa, comecei a lixar as unhas dos pés e com o alicate retirar as cutículas, depois separei os dedos com algodão e com todo cuidado, como fazia a minha irmã, comecei a pintar com capricho as unhas do pé direito, em seguida fiz o mesmo com as unhas do pé esquerdo, descalço voltei ao quarto da minha irmã e peguei um par de sandálias prateadas rasteirinhas de dedo esperei secar bem o esmalte e calcei-as, ficaram lindas no meu pé, as unhas recém feitas brilhavam. Sentei-me na cama e comecei lixar e tirar as cutículas das unhas das mãos para depois com o mesmo capricho pintá-las com aquele esmalte vermelhão. Então resolvi a começar a fazer a lição de casa, mas não conseguia prestar atenção, cada vez que escrevia ou lia parava para admirar as minhas unhas vermelhas da mão e volta e meia olhava para os meus pés, aí que eu percebi como as minhas mãos e meus pés eram tão parecidos com os da minha irmã, pareciam até que eram dela, ainda mais com aquelas sandálias. O tempo foi passando e me assustei ao ver o relógio, minha mãe podia chegar a qualquer momento e que seria de mim se ela me visse com as unhas pintadas. Não tive alternativa senão pegar o chumaço de algodão molhá-lo no removedor e muito contrariado comecei rapidamente a tirar o esmalte das unhas que estavam tão lindas que fiz com todo o capricho, não tirei o esmalte das unhas dos pés, calcei as meias e o meu tênis não demorou muito para a minha mãe chegar, mas antes eu tive que abrir bem a janela do meu quarto e ligar o ventilador para que não houvesse cheiro de esmalte nem de acetona e também fui ao quarto da minha irmã para por no lugar tudo aquilo que eu havia lá tirado, inclusive as sandálias. Minha mãe chegou cheia de sacolas e me perguntou que eu havia feito sozinho a tarde toda; menti, eu falei que havia feito a lição de casa e estudado para a próxima prova. Minha irmã chegou do cursinho por volta das onze horas e fomos todos dormir. No meu quarto, com a porta fechada, eu deitado eu não me cansava de admirar os meus pés com as minhas unhas dos pés pintadas de vermelho. Eu estava decidido no dia seguinte eu ia assim para o colégio, porque as meias e os tênis cobriam tudo.
Passados dois dias na saída do colégio eu me aproximei de Ivone e lhe disse: “Olá”, e ela me respondeu da mesma maneira então tomei coragem e lhe disse: “Eu lhe queria lhe falar uma coisa, mas eu não sei o que dizer”. Ela sorrindo, muito decidida, falou: “Diga qualquer coisa” e cheio de coragem, disse: “Eu gostaria de ficar bem perto de você, posso?”, ela respondeu desembaraçada sempre com mesmo sorriso: “Eu também”. Agora, cheio de coragem prossegui: “Deixa pegar a sua mão”. Sempre com aquele sorriso maroto respondeu: “Eu deixo, mas só um pouquinho, não vá abusar”. Eu então peguei na sua mão fria, fina, macia, delicada. Ela virando-se para mim, ainda de mãos dadas, suspendendo a cabeça, com sorriso nos lábios, autoritária, cravou com força as suas unhas nas costas da minha mão, eu senti uma dorzinha gostosa, assim ela me dominou, sabia que fazia. Eu estava nas nuvens. Eu era todo dela. Fomos assim calados até o portão da sua casa de mãos dadas, senti vontade de dar um beijo na sua boca, eu estava indeciso, mas foi ela, sempre decidida, que tomou a iniciativa e como eu gostei, foi um beijo longo, apaixonado. Queria dar pulos de alegria. De volta a minha casa, assim que me vi outra vez sozinho, eu fui ao quarto a minha irmã e pequei a vidro de removedor e o mais rápido possível eu comecei a tirar o esmalte das unhas dos pés. Eu pensei que Ivone iria pensar de mim se soubesse que tinha as unhas dos pés pintadas. Sempre muito despachada ela iria zombar de mim, ia me arrasar, no mínimo de chamar de afeminado, para não dizer outras coisas. Eu fui me recriminado: “Que é isso? Quem pinta as unhas é mulher e eu sou homem, homem não pinta as unhas, é bicha que pinta as unhas e eu não sou bicha, sou macho e quero continuar a ser macho, porque eu amo Ivone e a quero para mim para sempre. Daquele dia em diante eu mudei de vez, crise de identidade na minha adolescência acabou naquele instante. Tomei meu rumo certo. Em certa oportunidade eu contei isso para o meu analista e o psicólogo disse que eu fiz bem em satisfazer aquele desejo, senão ele poderia ficar para sempre no meu subconsciente e eu ficar arrependido de não tê-lo satisfeito. Lembrei o que, antes de entrar na adolescência, com seus problemas de crise de identidade, eu já havia decidido qual seria a minha personalidade e que eu ia ser de fato, mas, isso há uns poucos anos atrás. Havia um garoto nosso vizinho que eu considerava meu amigo, nós brincávamos juntos havia muito tempo, eu frequentava sua casa e ele na minha, mas um dia eu tive uma forte decepção, quando disse se eu queria dar para ele, eu reagi com veemência, ele maneiroso, descaradamente, continuou insistindo que eu experimentasse que eu ia gostar e que não ia doer nada e até eu pedir mais. Eu não suportei com o conceito que ele fazia de mim, enfurecido dei-lhe um tapa na cara, ele não reagiu, apenas pediu desculpas e saiu da minha frente, nunca mais eu olhei na cara dele.
Eu e Ivone tornamo-nos namorados firmes. Sempre damos muito bem. Hoje nós estamos casados e muito felizes, temos dois filhos lindos ela quer ter ainda uma menina que eu quero seja tão linda como ela. Não temos segredos um para com o outro, somente nunca lhe contei aquele dia que pintei as minhas unhas, mas continuo a admirar as unhas pintadas da minha mulher e ela sabe disso, eu dou os meus palpites nas cores dos esmaltes e ela aceita e capricha porque sabe que em troca eu a deixo maluquinha na cama. Esse segredo eu mantenho, só eu sei e o psicólogo, mais ninguém. (o nome da minha esposa não é Ivone). Se alguém passou por experiência semelhante comente.

 

Reportar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anti-Spam *

1 Comentário

  • O meu caso não é com a crise de identidade na adolescência, surgiu muito antes. Minha mãe sempre trabalhou no meio artístico, principalmente na televisão, mas nos bastidores como eles dizem lá. Esse meio é muito liberal, sem preconceitos, tudo lá é permitido. Eu não conheci o meu pai, eles se separaram quando apenas eu tinha um pouco mais de um ano, agora ele vive no exterior. Minha semelhança com a sua são as unhas pintadas. Desde que eu me lembro sempre minha mãe gostou de me ver com as unhas pintadas, diz que fica bonitinho. Tenho uma foto de quando tinha dois anos que mostram que tanto as unhas das mãos como as dos pés estão pintadas. Por isso eu me acostumei achando normal. Todas as semanas quando ela ia ao salão de beleza fazer o cabelo as unhas ela me levava e lá eram pintadas as minhas unhas, as manicures e pedicuras esperavam por mim e o preço era pela metade, na escola desde o maternal até os nove anos todos se acostumaram em me ver com as unhas das mãos e dos pés sempre pintada, a novidade era que cada semana mudava a cor; azul, verde, roxa e das mais das vezes vermelha em diversos tons. Só parei de ver as minhas unhas pintas quando fiz dez anos e tive que mudar de colégio, quando minha foi fazer a matricula a diretora falou que eu não podia frequentar as aulas assim porque eu ia passar por um vexame diante dos outros alunos que no mínimo iam me chamar de mariquinhas e eu ia ficar deslocado dos meninos. Minha mãe é que ficou contrariada, mas ela teve que aceitar só eu que no principio achei estranho não estar de unhas pintadas, mas eu logo me acostumei. Isso essa passagem na minha infância não afetou em nada minha masculinidade.