Estou sendo engolida pelo meu vazio

Começo do ano passado eu conheci uma garota incrível. De verdade! Ela tinha características encantadoras e, mesmo pegando uma certa implicância com ela por causa de uma amiga minha, não consegui não ser amiga dela. Lá para Março/Abril de 2014, nós começamos a nos aproximar muito. Saíamos para festas, assistíamos filmes no cinema, mas sempre acompanhadas de outras amigas. Não éramos melhores amigas, mas estávamos bem próximas porque ela se tornou muito amiga da minha melhor amiga. E desde que começamos a sair, a conversar pelas redes sociais e no whatsapp, a nossa relação mudou um pouco. Aquela implicância de antes havia se transformado em um carinho imenso, uma preocupação, uma vontade de querer cuidar vinte e quatro horas por dia, talvez até mais se fosse possível. Então em Junho, nós fomos dormir na casa de uma amiga, então “ficamos” juntas. Não houve beijo, não aconteceu nada muito além também, mas ficamos com aquele conhecido jogo de mãos; ela entrelaçava nossas mãos, seus dedos deslizavam pela minha coxa e etc. E isso me deu a atender que ela também estava atraída por mim, mas eu não tinha a absoluta certeza. Então, depois desse dia o que eu sentia por ela começou a aumentar. Muito! Quando ela não ia para a aula, eu ficava olhando para a porta esperando que ela aparecesse de repente, ou torcia para que o final de semana acabasse, ou seja, eu ficava muito ansiosa para encontrá-la novamente.
Minhas amigas não faziam ideia de que eu estava começando a gostar dela, e se eu contasse para alguma delas, iam me julgar e dizer que era só uma coisa passageira já que eu nunca namorava com ninguém e só “ficava” com uma pessoa por um/dois dias e depois partia para outra. E quando a minha melhor amiga relembrava das pessoas (meninos e meninas) que já fiquei, ela simplesmente dava um sorriso sem graça e agia como se aquele assunto fosse entediante. Porém, eu nunca fiz muita questão de falar na frente dela sobre as pessoas que já beijei. Eu não tinha certeza e eu não tenho se ela sentia mesmo ciúmes de mim, mas eu comecei a perceber que eu tinha ciúmes dela. E eu não sou muito do tipo exclusivista, então essa história começou a me assustar porque ela é uma garota linda e vários meninos iam falar com ela, mas ela só dispensava todas as propostas.
No final do ano passado, quando íamos entrar de férias do colégio, eu cheguei perto dela e pedi para conversar à sós. Lógico que eu tremi e pensei em desistir, mas já estava ali e fui até o fim e disse como eu me sentia. Ela só me abraçou e falou “Desculpa, queria sentir o mesmo, mas não sinto!” e veio aquela ladainha de que eu merecia alguém melhor, que ela não merecia esse amor todo que eu estava sentindo. Fiquei desolada! Ficamos sem nos falar por dias até que nos encontramos na casa daquela amiga da festa do pijama. Nós passamos um dia inteiro “juntas”, ela num canto e eu no outro, não interagíamos. Então no final do dia, ela me chamou num canto e disse o quanto estava chateada com o clima que havia se instalado entre nós e pediu perdão, mesmo ela não sendo culpada de nada. Mas eu ainda estava muito magoada e ferida, então disse coisas horríveis e ela também se irritou e falou coisas horrorosas. Mais tarde, resolvemos pedir desculpas uma para a outra e a decisão tomada foi: nos tratar como desconhecidas já que não nos conhecíamos mais. E ela disse que não queria mais ser amiga de uma pessoa tão fria como eu. Mas eu tinha dito aquelas palavras no calor do momento, mas não fui desculpada.
Mudei de escola, então, com as minhas outras amigas. E restou ela e mais uma colega minha no outro colégio. Desde aquele dia estamos sem nos ver. Então prometi para mim mesma focar apenas nos livros e não gostar de mais ninguém por um bom tempo; Voltei a sorrir para a minha família e amigos, me aproximei de um colega muito antigo que, agora, é meu melhor amigo. Ele é meu confidente! Conto tudo para ele.
Antes de mudarmos de unidade, já que a nossa era muito pequena para a quantidade de alunos da escola, conhecemos uma garota muito legal e resolvemos nos aproximar dela. Cara, ela é incrível como ser humano! Enfim… então, começamos a falar mais com ela.
Quando a nossa unidade antiga pegou fogo na secretaria, a primeira coisa que veio na minha cabeça ao sair do prédio foi meus amigos lá dentro, mas eu nem me lembrei dela na hora já que não éramos tão próximas. Sabendo que todos já haviam saído e estavam todos bem, fomos para uma praça próxima e resolvemos conversar. Lá ela me contou, em particular, sobre o antigo relacionamento dela e sobre a família. Eu não sabia de onde ela tinha tirado tanta confiança! E no momento que íamos embora, meu melhor amigo resolveu se assumir para mim e para nossos colegas que estavam ali no meio. Ela disse que não se importava e que era bissexual, então a minha melhor amiga disse: “Por que vocês não ficam?”, se referindo a nós duas e também falou que eu também gostava de meninas. Ficamos super sem graça, lógico, então resolvemos esquecer o assunto.
Agora somos muito próximas, muito mesmo. E ela me conta tudo, mas nesses últimos meses ando bastante incomodada com algumas coisas. Por exemplo, eu não quero saber com quantos rapazes ela beijou num lugar qualquer porque me incomoda profundamente. Quero dizer, eu não me incomodo com as pessoas que flertam com ela porque sei que é linda, mas começo a me importar quando eu sei que essa pessoa terá alguma chance. E tenho a plena consciência que já vivi esse momento antes… sabe, essa coisa de ciúmes, querer ficar por perto. Ela me dá beijos na bochecha que me deixam louca, não são apenas um, são vários seguidos; me abraça com tanta força que parece querer fundir nossos corpos e por aí vai. Eu não sei se estou confundindo as coisas, mas eu sinto que tenho chance. Mas eu tenho medo de perder a amizade dela como aconteceu com a outra menina. Agora, dias atrás, eu vi a primeira garota que eu me apaixonei, mas estava no carro e ela andando na rua. Eu confessei para o meu melhor amigo que eu sentia falta do que éramos e sentia falta dela, dos abraços, beijos.
Estou com medo de estar ainda apaixonada por ela, estou com medo de estar apaixonada por duas pessoas ao mesmo tempo; por uma que me faz muito mal e por outra que me faz um bem danado. E eu não sinto mais essa necessidade toda, não sinto que eu precise das duas ou de uma delas para sobreviver, mas estou me afogando, estou sendo sugada por um buraco negro dentro de mim e não sei como agir. E eu só precisava compartilhar esse sentimento tão sufocante com pessoas que são capazes de me entender, não julgar.

 

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3 Comentários

  • Que linda história. Ela sente algo por você, a gente sempre fica na dúvida, sentimos medo de perder amizade, uma mistura de sentimentos. Mas repare nos detalhes, nas entrelinhas.
    Arrisque, abra o jogo com ela, lógico converse em particular e exponha seus sentimentos. As vezes perdemos o amor da nossa vida por medo. E arriscar, não é pior que viver a vida toda na incerteza. Espero que tudo de certo.
    Beijos

  • Querida,

    Este Adalto do comentário acima é claramente um idiota. Meu conselho para você:

    Você fala em colégio, então assumo que você seja bastante jovem. A primeira coisa é: respire! Crescer é difícil, e esta fase é mesmo de grandes paixões, sentimentos novos, muita confusão. Saiba que a confusão e o sentimento de sufocamento passam, então procure não se sentir tão mal a respeito.

    Sobre a situação em si: não tenha medo! Sobre a primeira pessoa, você fez tudo certo: abriu o jogo, e a pessoa não se interessou. Faz parte, dói, e até o sentimento passar vai doer um pouco, mas você já tem sua resposta. Não invista nisso e bola pra frente. Sobre essa nova pessoa, não tenha medo de sentir ou viver esse sentimento que você tem. Agora você já está um pouco mais escaldada pela primeira experiência, então não se jogue de cabeça sem ter sinais bem claros de que há um interesse dela também – às vezes nosso desejo faz a gente interpretar carinho de amiga como romance. Dê um pouco mais de tempo para ir “lendo” a pessoa, dê sinais sutis do seu interesse, e siga em frente se achar que deve. Se não, contente-se com a amizade dessa pessoa especial ou dê um tempo nessa relação se achar que precisa da distância para esquecer.

    De todos os modos, não perca a confiança no seu coração. Todo sentimento que é legítimo e puro vem para o nosso crescimento e aprendizado. Viva com intensidade! Como o Adalto aí de cima provou, infelizmente a sociedade ainda não está suficientemente evoluída para deixar cada um viver o amor da maneira como ele resolve se manifestar, então confie no seu coração.

    Grande abraço!

    Jorge

  • Estamos definitivamente na era em que ser hétero e assumir isso, virou algo inaceitável e ser bissexual é comum, comum onde? Enquanto vocês jovens acham bonito essa modinha de menina com menina, quando mais velha irá se arrepender amargamente, vai querer família, mas como, sua amiguinha vai te engravidar? sexo com outra mulher pode até ser gostoso mas a relação em si é puramente por carência, em desacordo com as leis naturais e de Deus.