Traindo para curar a dor

Olá, meu nome é Elias e tenho 40 anos.
Aos 24 anos engravidei minha namorada, que na época tinha 21. Minha criação foi para que tivesse estudo, emprego e constituísse família. No início da minha adolescência, por usar óculos, ser gordinho e moreninho, nunca tive oportunidades de namorar. Tive uma namorada aos 14 que durou 10 dias e uma aos 17 que durou 1 ano (o grande amor da adolescência), ainda nessa época era virgem e tive meu primeiro relacionamento com uma prostituta, aos 18 anos. Aos 20 para 21 conheci uma moça que namoramos e chegamos a nos noivar. Aos 24 anos terminei com ela e essa pessoa que engravidei, que hoje é minha companheira, era amiga dela. Comecei a paquerá-la e começamos a namorar. Foi tudo muito conturbado, ela tinha problemas familiares e com bebida, sumia, enfim, quando havia decidido que iria terminar com ela, ela engravidou. Assumi os filhos (gêmeos), corri atrás e comprei um apartamento e fomos morar juntos, apenas registramos união estável no cartório. Sempre fui muito católico e entendi que passar a carroça adiante dos bois, não era correto, então não queria casar naqueles termos. No decorrer de nosso relacionamento, descobri que fui traído quando namorávamos, um affair no antigo msn com um primo dela já quando passamos a morar juntos e desconfio de uma traição dentro do casamento, coisa que ela nega ter acontecido, mas, as evidências são grandes. Sempre fui presente, nunca agredi, sempre trabalhei duro e sempre dei carinho e atenção na medida do possível, pois, percebi que se desse na medida que eu entendo que seria a correta, ela, não sei se por imaturidade ou índole (não me cabe julgar), sempre ficava mais solta e achando que era um favor que ela me fazia (a bela com a fera). Meus filhos nasceram com deficiência auditiva e ela não tem o ensino médio completo, isso era uma pressão enorme, da sociedade, da minha família, da dela (filha de pais separados e a mãe não tinha estrutura, além de irmãos que usam drogas, não trabalham, enfim). Então, sempre pensando nos meus filhos e nela, entendi que era uma bênção, associada a um castigo, pois, quando comecei trabalhar, meu nível de estudo era mais alto que a média das pessoas e consegui um bom cargo em uma boa empresa (que me mantive por mais de 15 anos), tive meu primeiro carro e percebi que para fazer sexo, não era necessário amor. Saí com muitas meninas, queria descontar o tempo perdido. Nunca fiz sexo sem consentimento, mas, já tive mais de uma parceira ao mesmo tempo e quando a garota era mais inocente, contava mentiras, prometia namoro e etc. Por isso, entendi que a bênção dos filhos era muito boa, mas, a carga de não desampará-los, que era toda minha, era o meu castigo, de não ter mais o direito de ter alguém ao meu lado, que me amasse. Mas, viver dessa forma dói muito. Numa viagem a trabalho, conheci um senhor em uma conversa de avião, que, me deu o contato da sua filha que era fonoaudióloga, pois, havia relatado pra ele o problema dos meus filhos e o número limitado de seções que meu plano cobria. Fiz contato com ela na época e não me recordo o desenrolar da história, mas, havia contado sobre minha vida e nos apaixonamos. Tive um relacionamento extraconjugal com ela, onde cogitei me separar e viver com ela, porém essa responsabilidade com eles me impediu. Porém, vi que de uma forma ou de outra, me senti um pouco aliviado e até feliz, por alguém ter gostado de mim.
Morávamos em um apartamento de 2 quartos e com 2 meninos e ela novamente, sem minha opinião, engravidou porque queria ter uma menina. Descobri quase no terceiro mês. Minha cabeça foi a mil. Nesse momento, estava em dificuldades financeiras e como iria fazer com um apartamento de 2 quartos, se viesse uma menina? E veio. Tomei a decisão de comprar uma casa financiada, com 3 quartos e dar meu apartamento quitado como entrada. Nessa época tentei resolver com ela toda a questão, colocar às claras, mas ela se recusou a contar toda história. Nossa filha estava Bebê, nasceu em 2010 e entendi que mesmo minha esposa tendo me enganado, Deus me abençoou e me deu uma filha linda e uma casa. Mas, ela contou apenas parte, o que foi pior. Durmo e acordo com isso, às vezes sinto muita raiva dela. Passei a me relacionar com uma pessoa casada que partilhava do mesmo pensamento que eu: O medo de destruir a família. Pois percebi que conseguia levar numa boa aquela situação mal resolvida, tendo uma pessoa que me entendesse e não me condenasse. No ano de 2011, perdi meu emprego de 15 anos, mas, logo arrumei um tão bom quanto. Nessa empresa fui alocado em um projeto, onde conheci uma pessoa que me propôs montarmos uma empresa com o capital de um banco investidor, por conta de meu conhecimento em determinada área. Fiz o projeto, foi aprovado e me mudei para outro Estado com minha família. No início, foi muito traumático para meus filhos, mas eu pensava no futuro deles. Meu salário mais que dobrou. Só que houve um problema: Meu sócio não trouxe um cliente para a empresa, aliás, trouxe 1 que sequer nos remunerava, enfim: Acho que caí numa cilada de lavagem de dinheiro, mas, não quis mexer, pois uma dessas pessoas depois descobri que era envolvida com pessoas investigadas publicamente pela PF. Eles deixaram de me pagar e o resultado: foi vender meu único patrimônio, a tal casa financiada para poder saldar minhas dívidas e recomeçar. Nessa empresa, já no final, me envolvi com uma pessoa nas mesmas características: casada, infeliz e sem coragem de abandonar tudo. Foi rápido, porque com ela vi que era mais interesse e senti que se não tivesse feito aquilo, Deus poderia ter me ajudado nessa situação traumática. Perder a casa, foi outro castigo a meu ver. Graças a eu ser um covarde e ruim também. Arrumei um emprego e continuo, sem casa, mas, continuo trabalhando de sol a sol, 12h por dia. Havia feito uma promessa a Deus que não faria de novo um relacionamento extraconjugal… Mas… Nesse meio tempo, estava dentro de um supermercado e conheci uma pessoa ao qual me pediu uma opinião sobre algo e dei, sem nenhum interesse, mas de uma forma nos aproximamos, e ela que também tem uma união estável com uma pessoa, e descobriu as traições, depois de nos confidenciarmos o que nos aconteceu, nos apaixonamos e ficamos juntos. Me senti o homem mais valorizado do mundo. Ela é uma mulher bem resolvida, independente e enfim. Mas a sensação de pecado é horrorosa. E atribuo todas essas pequenas desgraças em minha vida, aos meus pecado, à minha não aceitação de que tenho que levar o que aconteceu, calado e perdoar o que inclusive, apenas sei parte. Terminei com ela e ela está muito triste, diz que a única coisa que quer é o meu amor… e peço perdão a Deus todos os dias, mas acho que ele nem me ouve, pois não tenho dignidade pra isso.
Me ajudem a ter o perdão de Deus e tentar superar essa dor… Encontrar o caminho e não deixar meus filhos desamparados. Tenho só Deus, nem lugar de cair morto tenho mais.

 

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5 Comentários

  • Amigo, dê uma olhada à sua volta, veja quantos casais se separam e criam os filhos mesmo assim. Você tem medo é da mudança já que o seu casamento está acabado há muito tempo e você não quer aceitar. Enfrente a bronca, jogue limpo e coloque um fim nisso, você, tua esposa e teus filhos vão se adaptar com essa nova vida com o tempo. Não vou negar, em um primeiro momento a dor é equivalente à perder um ente querido, mas passa, passa sim e você vai poder recomeçar!

  • Perdi meus filhos, perdi tudo, não terminei faculdade, abandonei e casei, depois tudo acabou, estou numa depressao q trabalhava q nem louca e agora só saio da cama para tomar banho, ir à padaria etc, depois volto. Peço todos os dias para Jesus me ouvir…. e nada. Só que vivo em castidade, nem conhecido homem tenho, quanto mais amigo ou outra coisa. Se fosse castigo pelas suas traições qual seria a minha desculpa? Estou descendo a ladeira da descrença mas ainda tenho esperança…. é a última que morre.

  • Sinceramente…seja homem e tenha uma atitude digna…coisa mais barroca…pecado X prazer…

  • Amigo , há alguns anos vivi situação similar, namorava uma bela moça, maior amor da minha vida. A respeitava, não a traía, amava ela mais que tudo . Só que ela me traiu , me trocou por um qualquer. Depois veio atrás de mim se dizendo arrependida. Tentei perdoar, mas comecei a trair sem parar. Na verdade não a perdoei dentro de mim , até que terminei tudo. Juro que me arrependo, pois se a tivesse perdoado poderíamos ter sido muito felizes.

  • Admiro muito sua fé, mas não acredito nisso de castigo, realmente não é o ideal ter relacionamentos extraconjugais, mas quem consegue suportar o peso da vida sem amor? veja quantas pessoas vc já encontrou e que estão na mesma situação que você. Eu entendo, pensar em largar tudo e começar de novo, fora todos os problemas que a separação vai gerar, dá muito medo, mas você vai ter que se decidir pra não enlouquecer. Muitos casais vivem juntos por conveniência até os filhos crescerem e depois se separam, as vezes, nem se separam mas vivem juntos por questão de logística.
    Você precisa ver se isso funciona pra você ou não. Não se julgue demais, você tem sido homem e enfrentado tudo que precisa, cuida dos seus filhos, mantem sua família unida, quantas pessoas fazem isso? são poucas que se sacrificam assim, mas será que vale a pena? será que seus filhos achariam que vale a pena? você precisa pensar nisso, a vida é sua e as coisas de um jeito ou de outro vão se ajeitar. Você já passou por tanta coisa e mesmo assim foi vencendo tudo.
    A vida é meio cheia de reviravoltas mesmo, não tem a ver com castigo, algumas coisas dão certo, outras dão errado, nunca temos mais do que podemos suportar. É questão de saber levar. Não se culpe demais, não se afaste de quem te ama.