Meio hétero

Bom, a história toda começa em um jogo. E no caso, acho que a maioria vai pensar “É só mais uma se iludindo dizendo que ama alguém que mora em Júpiter.”
O que não deixa de ser verdade, eu acho!
O jogo é um bate-papo em 3D até que popular, IMVU. E como eu estava na escola e sem nada pra fazer a tarde inteira, criei um avatar masculino e deixei ele o mais fofo possível, pra ver quantas pessoas se interessariam por ele e viriam falar comigo.
Passou um certo tempo e eu recebi uma mensagem, e lembro de ter comentado com a minha amiga que estava do meu lado que mais um havia cedido aos encantos do meu avatar. No começo eu achei esse ser que me mandou a mensagem um tanto estranho, atirado demais e com uma grafia meio errada, tanto que nem falei com ele muito logo de cara, e sim com a prima dele, que também jogava. No entanto, o tempo foi passando e nós conversávamos frequentemente, até que eu percebi que estava gostando de verdade dele, o que era meio, não sei, porque eu sequer conhecia ele de verdade. Tanto que finalmente contei pra ele que sou uma garota, o que ele aceitou muito bem. E assim eu frequentemente me pegava pensando nele, e cada vez também ia ficando mais ‘na bad’, pois começamos a nos falar apenas nos fins de semana, e o fato de eu ser uma pessoa muito carente não ajudou muito.
Mais ou menos uns dias depois, a prima dele me veio com uma conversa estranha, dizendo que precisava me contar algo importante, algo sobre ele que eu precisava saber, pois ela dizia que eu estava sofrendo muito por ele e não era justo esconderem isso de mim.
E o que ela disse foi: “Não é ele, é ela.”
Naquele momento o meu coração trincou, e realmente doeu, naquele momento eu descobri o verdadeiro sentido de ter o coração partido. Na hora, eu fiquei muito magoada e chorei muito, mesmo que eu dissesse a elas que tudo bem pra mim como era pra ela; disse que a aceitaria como ela me aceitou.
E continuamos nos falando, e eu percebi que nada havia mudado, nada mesmo. Ela continuou a me tratar do mesmo jeito de quando ela ‘era um garoto’ e eu continuei a sentir as mesmas coisas de sempre, só que misturadas com a confusão, pois sou uma garota e ela também, então pra mim não fazia sentido eu ainda gostar dela daquele jeito. E, na minha cabeça, as coisas provavelmente se resolveriam com o tempo, que provavelmente aquilo era apenas ‘uma fase’, pois ela havia sido o meu primeiro amor virtual. Mas o tempo só aumento aquilo, e logo eu me vi pensando nela diariamente de novo, mesmo que eu ainda não a conhecesse de verdade.
Enfim chegou uma noite em que a prima dela perguntou se eu tinha webcam e skype, e eu disse que sim, e ela também falou que havia feito uma conta, mas mesmo assim ambas não tínhamos coragem de tomar tal iniciativa de se falar por vídeo, então quem nos convenceu foi a prima dela.
E assim nos vimos pela primeira vez, e eu percebi que realmente estava apaixonada por aquela menina, mesmo que eu ainda tivesse certeza da minha heterossexualidade, e isso ainda me confundi muito.
Ela sempre deixou claro que é hétero, assim como eu, mas mesmo assim continuamos nosso pequeno relacionamento virtual.
E até hoje estamos assim, meio namorando, meio nada, meio tudo.
Enfim, meio hétero.

 

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1 Comentário em "Meio hétero"

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2048
Leco
Membro

Muito fofo o caso de vocês. O que fica como conselho é a extinção do rótulo. Para quê ficar se rotulando hétero, bi, lésbica. Só viva, faça o que se sentir melhor, essas coisas só prendem a gente…

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