Minha vida imaginária

Bom, desde pequeno eu sempre inventei histórias na minha cabeça. Acho que isso é normal para crianças. Hoje tenho 20 anos, sou homem. Durante 4 anos, eu me imaginei como líder de uma equipe de 5 heróis (os outros 4 eram amigos meus na vida real naquela época, mas nunca contei a eles sobre essa imaginação). Já fui um cantor (2007 – 2009), já fui um feiticeiro (2010 – 2011) e no meio de 2011 essas imaginações pararam. Uma observação: nessas imaginações sempre tem alguma celebridade (que na história ela ou ele não é famoso, mas sim meu amigo) e também tem sempre alguém da minha vida real (muitas vezes esse alguém nem é próximo).
Resumindo, eu sempre baseava minhas histórias em programas e desenhos que eu via.
Há 7 anos conheci um seriado que me viciou bastante.
Eu me intriguei muito na história e, depois que terminava de ver o episódio ficava imaginando sobre a série. Passou o ano e, no início do ano seguinte, eu comecei a me imaginar na história.
A série conta sobre um grupo de garotas que são perseguidas por um inimigo anônimo. E apliquei isso na minha vida. (ahh.. eu sou homem, e essa série é meio feminina. Por isso, evito falar para as pessoas que eu gosto, pois já vi muitos terem preconceito).
Então, no lugar das garotas, eu, um cara famoso (que na minha história tinha acabado de mudar para a minha escola) e mais dois garotos da minha sala (que eu falava bem pouco) começávamos a ser perseguidos por esse mesmo inimigo, sem saber quem ele era. E muitas vezes, eu inventava coisas novas e outras vezes, aplicava coisas que acontecem no seriado.
E isso continua até hoje (há 6 anos). É a história mais longa que já criei. E todo dia eu imagino algo novo sobre ela (como se fosse um novo episódio).
Só contando um pouco sobre a história: em há 4 nós descobrimos quem era a pessoa que nos ameaçava, mas há 3 anos começamos a receber ameaças anônimas de novo, e até hoje nós estamos tentando descobrir quem é essa pessoa. (O meu eu real já sabe quem é, mas o meu “eu imaginário” não tem ideia de quem seja).
No meio disso tudo, passamos por várias aventuras. Brigas, romances, traições, testes, decepções, alegrias.. bom, todo tipo de coisa.
Voltando para o meu eu da vida real: eu acho que criei essa história porque gostei muito da série e porque queria imaginar uma vida com mais aventura.
Hoje em dia, eu nem estudo mais com os outros 2 colegas de sala (mas na minha imaginação, nós 4 ainda estudamos juntos). Outro motivo porque acho que criei essa história foi o fato de o meu “eu” da história ser melhor do que o meu eu real. Ele é corajoso, e possui outras qualidades que eu queria ter.
Bom, tenho uma vida normal, bastante corrida por conta dos estudos, mas ainda assim tenho esses pensamentos diariamente (em qualquer intervalo que tenho haha). E muitas vezes, quando estou só, fico imaginando e falando as falas que eu imagino que meus personagens diriam. Sei que você deve estar achando que sou doido, mas se você me conhecesse na vida real, duvidaria que eu sou a mesma pessoa que escreveu isso. hahaha
Eu nunca contei isso para ninguém, e jamais vou contar. Apenas queria confessar aqui.
Mais uma coisa: esses meus pensamentos me ajudam muuuito, neles eu sinto que posso fugir da realidade (e isso nunca me atrapalhou, totalmente pelo contrário). E hoje, na minha cabeça, eu e os outros 3 somos grandes amigos e eu realmente sinto como se eles estivessem na minha vida há muito tempo, eu gosto deles e seremos amigos para sempre, até descobrirmos quem nos ameaça. E depois que descobrirmos isso, acho que inventarei outra história sobre nós 4, meio que dando continuação à história inicial. Mas nunca quero parar de pensar sobre esses 4 (e vou adaptando as coisas que acontece na minha vida real à minha imaginação). E tenho um futuro bem imaginado para todos os 4, pois eles sofrem muito e são ótimas pessoas.
(Obs.: tenho outras histórias imaginárias também, mas essa é a mais frequente. Outro dia eu conto as outras. haha)
Obrigado por ouvir (ler)!

 

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11 Comentários em "Minha vida imaginária"

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4000
lala
Membro

Omg (isso tudo parece pretty little liars),eu tenho 16 anos e acontece o mesmo comigo(praticamente ha 3 anos).Eu amo esses meus “sonhos”,jamais quero acabar com eles.Me identifiquei muito,pois minha vida “real” também é super normal,e queria muito que as coisas fossem diferente,então uso minhas historia para ser quem eu realmente queria ser e para fazer coisas que talvez eu nunca tenha coragem.(voce deveria escrever uma fanfic,eu leria)

Membro

Sofro desse mesmo mal. Só pra você saber: isso é uma doença. “Devaneios exessivos” é o nome. Eu ja tentei parar, mas eu nao consigo. Eu criava séries quando eu era criança, hoje em dia sou eu mesma. Uma versão melhorada: bonita,popular,desejada,amada,rica etc…
basta ver uma pessoa na rua q pronto! Ela ja entra na minha história… triste. Sinto q perco muita coisa da minha vida com isso.

Babyrose
Membro

Meu Deus…. Cara! eu ja pensei isso.. e realmente ñ é saudável não…

LORA
Membro

Eu passo por essa situação desde que me conheço por gente e francamente até curto e considero isso como um tipo de brisa e momento intimo onde eu fujo um pouco do meu cotidiano que é bem estressante e que nunca foi um mar de rosas.
Vou resumir em poucas palavras:
Nessa vida, não existem personagens. Trata-se de eu mesma, com minha aparência apenas um pouco mais magra. Minha personalidade é romântica do tipo menininha inocente, saca? kkkk
Na minha fantasia me relaciono com um carinha que foi adotado pelos meus pais quando era criança (os pais dele eram íntimos dos meus e morreram num acidente e como não existiam tutores que pudessem criar ele, meus pais o pegaram pra criar e desde que entrou na família nunca nos vimos como irmãos!!). O cara que dá vida a esse homem perfeito é um modelo bem famoso no Instagram. Não vou dar a descrição dele pra preservar sua imagem.
Nosso relacionamento é bem intenso. Nos amamos muito, e simplesmente não conseguimos viver longe um do outro. No início tentamos reprimir o sentimento mas a paixão falou mais alto e desde então vivemos nosso amor. Na minha vida paralela (prefiro intitular assim do que imaginária pra não parecer coisa de gente doida kkkk), eu sou uma universitária que faz estágio numa empresa de tecnologia e meu amor é oq ele é na realidade: MODELO. Moramos juntos num apartamento pequeno em SP. Somos extremamente fiéis um ao outro e 100% dedicados a nossa relação. Por enquanto não temos filhos, mas é algo que futuramente provavelmente vamos providenciar.
É isso gente. Não é algo tão mirabolante mas é uma viagem que eu curto fazer todas as noites. SIM, É ALGO QUE SEMPRE ACONTECE ANTES DE DORMIR. Me ajuda a dormir melhor e inclusive sonhar com a situação. Não influencia em nada na minha vida, e se influencia é de forma positiva pois depois dessa “viagem”, consigo abstrair melhor os problemas reais.

Caio
Visitante

Estou muito impressionado com isso, pois eu JURAVA que eu era o único ser no universo que fazia isso. Com toda essa mesma riqueza que você: misturando pessoas famosas como se fossem minhas conhecidas, misturando gente do meu convívio mesmo que não sejam próximas… Já fui um cantor de banda pop (1998-2005), sou desde 2001 um ator estaduniense que fez uma série (que só existe na minha cabeça) chamada “Momentos Inesquecíveis” e agora faz séries americanas (assisto algumas séries e imagino que personagem eu seria dentro delas, e modifico a história da original incluindo a mim), entre outras coisas. Como você falou, a cada dia adiciono fatos novos, como se fosse um novo capítulo. E isso não significa que eu seja um desocupado, muito pelo contrário.
Não sei bem de onde veio isso, se é porque na minha infância e adolescência eu era um sujeito muito sem graça e indiferente, sem muitos amigos, que via os demais adolescentes aproveitando loucamente a vida enquanto eu passava os finais de semana em casa fazendo nada, então criava histórias na minha cabeça de como a minha vida podia ser interessante, e hoje, mesmo adulto e tendo vivido muitas coisas legais na realidade, não perdi o vício.
Achei bem interessante o comentário do Luis mais abaixo. Talvez nós tenhamos cabeça de dramaturgos. Pensarei nisso, e espero que você também.
Gostei muito da sua confissão. Assim como você, eu também nunca contei isso para ninguém. Fiquei muito contente de achar alguém que passa pela mesma coisa. Felicidades pra você e muitas histórias, nas nossas mentes e fora dela, colega!

sarrador
Visitante

vai transar que essa babaquice passa

Honny
Visitante

Que sensacional! Basicamente faço a mesma coisa, pensei que era eu sozinha nessa vida kkk só que no meu caso minha imaginação só “floresce” no meu quarto kkk faço isso há uns 8 anos (tenho 18) e também nunca disse à ninguém também. Parece doidera mas sei lá, pode ser pode não ser kkk o importante é ser feliz

Luis
Visitante

Já parou para pensar no fato de que você tenha grande imaginação e que isso é característica de grandes escritores? Já pensou em ser um escritor ou roteirista?

É bom pensar a respeito pois isso pode ser uma grande vocação em você e você achando que não é normal. Positive isso na sua vida!

Membro

Cabuloso, e eu achando que era o único que viajava sem puxar um baseadão :V

Angel
Visitante

Amigo, inicialmente parece mesmo coisa de doido mas no desenrolar da história pensei: isso faz bem a ele, não faz mal a ninguém… acredito que vc seja privilegiado por ter encontrado esta ferramenta de escape para viver uma vida satisfatória, parabéns! Louco é quem ocupa a cabeça com artimanhas para o mal.

Anônimo
Visitante

No início achei que o cara era só um louco, mas no meio da história achei que era um tipo viciado em drogas que usava essas histórias para amenizar a cabeça, mas no final vendo os comentários fiquei convencido de que parece normal para um determinado grupo e parando para pensar um pouco eu tmb pensava, mas meus pensamentos eram sobre como eu seria no futuro etc… uma coisa que eu digo é que… tudo aquilo que eu imaginava eu já experimentei inclusive as sensações que sentia na imaginação.

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